Os donos da verdade - Vitória News
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Opinião Pública
Os donos da verdade
Marcelo Rossoni
Para entender o fenômeno das fake new e a indignação dos donos dos meios tradicionais de disseminação de informação, vale antes explicar e evolução tecnológica do setor gráfico desde Johannes Gutenberg, que em 1450 criou, na Alemanha, a prensa de tipos móveis.

Nesse mesmo país, em 1844, Ottmar Mergenthaler inventou a linotipo, máquina composta por um teclado com número e letras do alfabeto, que compunham as palavras escritas em barras de chumbo, em seguida montadas numa estrutura metálica retangular, no formato de uma página, para impressão.

Pouco depois de 1900 surgiram os sistemas de impressão offset. Inicialmente numa só cor, na segunda metade do Século XX, com a evolução da tecnologia, foram produzidas máquinas de impressão em cores.

O grande salto tecnológico do setor gráfico ocorreu quando o fotolito, que é um filme transparente, uma espécie de meio plástico, feito de acetato revestido em uma das faces com uma emulsão sensível à luz, similar aos filmes fotográficos, foi substituído pelo sistema CTP (computer-to-plate).

CTP corresponde a um processo computadorizado que faz uma gravação de imagens e textos a laser nas chapas de alumínio. Nesse processo, a chapa de impressão é gerada a partir do arquivo criado por meio digital, sem necessidade de uso de fotolito.

Essa evolução tecnológica reduziu o custo de impressão de jornais, revistas e livros, principalmente, embora demandasse investimentos. E passou a permitir o envio massivo de informações, notícias e reportagens por jornais e revistas que, junto às redes de rádio e televisão, manipulavam a opinião pública a seu bel prazer.

Os donos das redes de comunicação ficaram ricos, poderosos e os que se alinharam ao Governo sobreviveram, principalmente após o golpe de 1964, quando militares assumiram o poder e implantaram a ditadura.
Muitos jornais morreram.

O Rio de Janeiro, centro intelectual do país à época, perdeu importantes jornais: Correio da Manhã, Última Hora, e teve início ainda a derrocada dos Diários Associados, um conglomerado de rádios, jornais e emissoras de televisão, capitaneado por Assis Chateaubriand desde 1924.

No Rio de Janeiro imperavam os irmãos Marinho, Roberto e Rogério, com O Globo, tendo como seu maior adversário o Jornal do Brasil, da condessa Pereira Carneiro, como era conhecida a colunista Maurina Dunshee de Abranches Pereira Carneiro.

Em São Paulo, reinavam os Mesquita, no jornal Estado de São Paulo; os Frias, na Folha de São Paulo, e os Civita, na Editora Abril, com as revistas Veja e Exame.

Mas o poder dos tradicionais meios de comunicação começou a ser minado sutilmente nos anos de 1980, com a popularização da Internet.

E com o avanço tecnológico dos microcomputadores, tablets e smartphones, ocorreu a grande revolução da mídia. A notícia publicada nos “impressos” já chega velhas às bancas.

Vídeos e textos divulgados nas redes sociais detonam a audiência dos meios tradicionais. A tecnologia ligada à internet fez ruir as redes tradicionais de comunicação, tirando delas o poder de dizer o que é certo ou errado; o que é moral ou imoral.

A expressão da língua Inglesa “fake news” passou a ser usada para denegrir o que era divulgado nas redes sociais e a saída foi colocar dúvida sobre a veracidade do que é veiculado por essas redes, como se o impresso e toda mídia tradicional fossem os depositários de todas as virtudes e não são.

A mídia tradicional criou um “cartório” para atestar a veracidade das notícias publicadas no Facebook, Twitter, Instagram, Telegram e outros meios, como se toda verdade coubesse apenas em si.

Mesmo antes da ação dos veículos tradicionais, o escritor italiano Umberto Eco, com sua lucidez mordaz disse ao jornal La Stampa: "as redes sociais dão o direito de falar a uma legião de idiotas que antes só falavam em um bar depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a humanidade. Então, eram rapidamente silenciados, mas, agora, têm o mesmo direito de falar que um prêmio Nobel. É a invasão dos imbecis."

As fake news dão certa sobrevida aos meios tradicionais, que assustados veem seus anunciantes drenando recursos para as redes sociais, onde anúncios comerciais são exibidos para uma plateia, que pode ser aferida em quantidade, idade, sexo e outros indicadores de perfil social e econômico.

Para sobreviver a toda essa reviravolta tecnológica, os meios de comunicação têm de primar pela criatividade, honestidade. Um bom exemplo é informar quando alguém é preso, mas também informar quando a mesma pessoa é libertada quando provada sua inocência, caso contrário vai prevalecer a máxima: quem não lê jornal é desinformado; quem lê, é mal informado.