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Opinião Pública
Desenvolver competências sócio-emocionais é fundamental para os tempos em que vivemos
Daniela Degani
A pandemia do novo coronavírus mudou a rotina de bilhões de pessoas do mundo. Se, por um lado, muita gente reclama de rotina, por outro é ela que nos ajuda a estar mais confortável diante das incertezas da vida. O que a chegada da COVID-19 fez foi nos lembrar de que adaptar-se é essencial. Professores precisaram se adaptar a dar aulas online e à distância; crianças e adolescentes tiveram de aprender a aprender sem o apoio físico dos colegas e em um modelo novo não apenas para eles, mas também para pais e professores. Isso sem falar nas inseguranças naturais do momento: famílias com menos recursos, muitos tendo de lidar com a doença; afastamento de familiares e amigos.

Nesse contexto, adquirir e desenvolver competências sócio-emocionais é fundamental para lidarmos com essa realidade de maneira mais tranquila. O Coletivo para Aprendizado Acadêmico, Social e Emocional (em inglês, CASEL) define aprendizado sócio-emocional como a maneira pela qual crianças e adultos aprendem a entender e administrar emoções, definir metas, mostrar empatia por outras pessoas, estabelecer relações positivas e tomar decisões responsáveis. De acordo com a instituição, existem cinco competências fundamentais: autoconsciência, autogerenciamento, consciência social, habilidades relacionais e tomada de decisão responsável.

Em um momento como o que o mundo está passando, saber identificar e administrar as emoções pode ser a chave para sentir-se melhor e estar no mundo de uma maneira mais confortável. Além disso, desenvolver competências sócio-emocionais também irá contribuir muito para o aprendizado das disciplinas tradicionais. Afinal, para aprender novos conteúdos, também é necessário ter foco, concentração e disposição. "Estamos vivendo uma dose cavalar de nós mesmos" diz Gabriel Matos, diretor pedagógico da Escola Integra, que capacita seus educadores em mindfulness para sala de aula com a MindKids. Ele completa, "Os pais têm ficado positivamente impressionados com a calma com que as crianças têm se portado durante a quarentena, com as práticas de respiração que as crianças têm feito, com o fato de que a quarentena não está atingindo as crianças. Elas estão procurando fazer as atividades, respirar e tratar com mais calma as situações do dia a dia. No caso do Fundamental, o que mais tem chamado a atenção é a calma, a concentração e o foco para fazer as avaliações".

Mindfulness é um caminho para inserir esse tema nas aulas. A prática de mindfulness não vai mudar o que acontece conosco; mas pode alterar a forma como nos relacionamos com o que acontece conosco, sejam essas experiências desejadas ou indesejadas.

Especialmente as práticas de empatia e compaixão são dedicadas a despertar a consciência da importância do cultivo das qualidades do coração, de usar essas qualidades e perceber a importância de desenvolver conexão e afeto.

Elas são bastante efetivas no ambiente educacional, pois preparam alunos e professores para estarem mais abertos ao aprendizado, numa relação de duas vias em que o aluno ensina ao professor e o professor ensina ao aluno.

Inserir o ensino de competências sócio-emocionais nas aulas on-line dos estudantes das mais diversas faixas etárias pode, ainda, ajudá-los a se sentirem conectados aos outros alunos e aos professores, mesmo que apenas virtualmente. Criar espaços seguros para que os estudantes possam falar de seus medos, inseguranças e anseios é importante para que eles se sintam mais à vontade no processo de aprendizado. Conhecer suas emoções, saber o que eles estão sentindo, criar um espaço para que falem sobre isso é essencial em um momento como o que estamos vivendo.

Embora ainda haja muita incerteza com relação à quando tudo voltará ao normal, é importante desde já que as instituições de ensino se preocupem com as competências sócio-emocionais para o momento de retorno às aulas presenciais. A psicóloga e pedagoga Ana Carolina C D’Agostini, que trabalha como desenvolvedora de conteúdo do Programa Semente e supervisora científica do Instituto Ame sua Mente, reflete: "Embora ainda seja incerto quando as escolas serão reabertas para as aulas presenciais, é importante refletir sobre como deverá ser esse retorno e quais são os efeitos nos âmbitos acadêmico, social e emocional dada a experiência sem precedentes como a que estamos vivendo agora.

A transição de tempos totalmente online para a volta às aulas presenciais pode trazer alegria, empolgação, ansiedade, preocupação e diversas outras emoções. Somado a isso, estudantes podem ter vivenciado traumas, luto e estresse agudo no período de isolamento social. Talvez mais importante do que se preocupar em recuperar o conteúdo de cada disciplina, seja pensar em estratégias para acolher as diversas emoções complexas que foram e que ainda estarão sendo sentidas. Portanto, trabalhar de forma sequenciada, ativa, intencional e focada as competências sócio-emocionais, auxiliará os alunos a se reconectarem com seus colegas e professores, além de possibilitar com que construam suas narrativas sobre o período de pandemia e que estejam atentos uns aos outros".

Fortalecer laços, neste momento crítico, é essencial para oferecer algum conforto para cada um que participa do processo educativo. Assim, alunos e professores podem, juntos, estabelecer uma relação de cooperação mútua para passarem de forma menos difícil por esta fase que é inédita para nossa geração.